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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Estado do Ceará registra 136 ataques contra Correios

136 crimes contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), conhecida como Correios, foram registrados pela Polícia Federal (PF), no Ceará, em 2017, entre janeiro e o fim de agosto. Os dados de 2016 não foram repassados pela PF e nem pela empresa pública. Entre os crimes registrados neste ano, contra a Instituição, estão assaltos a funcionários em trabalho, a veículos transportadores de encomendas e a agências da Instituição, furtos, arrombamentos e explosões de prédios. Em uma das ações criminosas, um cliente foi morto por um tiro disparado por um assaltante.
O chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas (Delepat), da PF, delegado Francisco Martins, acredita que o grande número de ocorrências se deve à ascensão do e-commerce (comércio eletrônico, ou seja, as vendas e trocas que ocorrem a partir de dispositivos e plataformas eletrônicos), nos últimos anos, combinado com o aumento da violência geral, no País e no Estado, neste ano.
"Os Correios são uma empresa que está bem inserida na estrutura de comércio do País. A partir do desenvolvimento do e-commerce, os Correios passaram a ser integrante dessa cadeia importante. Eles transportam mercadorias, objetos de valores, como notebooks, celulares, e a partir disso passou a ter a cobiça (dos criminosos)", afirmou o delegado federal Francisco Martins.
Para o chefe da Delepat, a Instituição não estava preparada para essa mudança de trabalho demandada pelo mundo dos negócios, mas vem tentando se atualizar e tem inserido mais mecanismos de segurança, nos últimos anos.
"Os Correios foram inseridos dentro desse negócio e a estrutura dele não estava plenamente adequada. O carteiro estava acostumado a entregar cartas, cantarolando, na rua, tranquilo, porque ninguém tinha interesse de pegar carta e selo. Mas hoje não, já transporta cartões de crédito, que tem um nicho específico (de criminosos), talões de cheque, que tem outro nicho específico. Além desses produtos que vêm pelas compras na Internet. A postura geral de procedimento tem que mudar, e vem mudando", analisou Martins.
Interior
Segundo o delegado federal Francisco Martins, as agências do Correios localizadas no Interior do Estado chamam ainda mais atenção dos criminosos, pois, em vários municípios, a Instituição acumula atividades bancárias e acaba movimentando mais dinheiro.
"Os Correios passaram a ser correspondente postal, inicialmente do Bradesco e agora do Banco do Brasil, e passou a ter um papel muito importante nessas cidades, onde o Banco do Brasil até desativou agências. O que tem acarretado é que o Correios substituiu totalmente essas atividades (bancárias), como abertura de contas. Essa movimentação financeira passou a interessar. Claro que as agências também não estavam preparadas para exercer essa atividade, que é muito importante para a população local", destacou Francisco Martins.
"O crime deu uma incrementada em todos os setores. Essa não é uma exceção. O que impõe, principalmente para os Correios, uma mudança de mentalidade, postura organizacional como um todo, de mais efetividade e mais atenção na questão segurança", alertou o chefe da Delepat.
Solicitada a conceder entrevista sobre o assunto segurança, os Correios preferiram emitir nota, através da assessoria de comunicação. "Os Correios mantêm contato direto com órgãos de segurança pública do Estado e possuem parceria em nível nacional com a Polícia Federal (PF) para a prevenção e repressão de assaltos a agências. A estatal conta em sua estrutura com coordenações estaduais que desenvolvem ações de inteligência, de monitoramento e de orientação com foco na segurança dos empregados e clientes, das instalações da empresa e do fluxo postal", explicou a Instituição.
A empresa detalhou algumas ações realizadas para reforçar a segurança e inibir as ações criminosas. "Especificamente em relação às agências, as unidades de atendimento contam com kits compostos por itens como cofre com retardo, circuito fechado de TV (CFTV) e alarme. Além disso, de acordo com uma matriz de vulnerabilidade, recebem a alocação de recursos adicionais, como vigilância armada. A empresa não divulga estatísticas sobre delitos e nem informações adicionais relativas ao processo interno de segurança para não fragilizar as ações", completou a nota.
Operação
Para combater os crimes contra os Correios, a Polícia Federal, em âmbito nacional, instaurou a Operação Hermes. Segundo Martins, o objetivo da PF é investigar os casos em conjunto, em cada Estado, e ser mais eficaz nas prisões.
"Como aconteceu na Operação Tentáculos, que era a questão dos 'cartãozeiros', a Polícia Federal montou uma forma de investigar específica para que eu não ficasse instaurando um inquérito para cada ocorrência, mas fizéssemos uma análise macro e pontuássemos certos grupos, nichos. Estamos fazendo a mesma coisa. O nome é Operação Hermes, para atuar em escala macro, nessas ocorrências repetitivas envolvendo os Correios", revelou.
Na ação criminosa mais violenta contra os Correios, no Ceará, neste ano, um cliente, um homem que não teve o nome divulgado pela Polícia, foi baleado ao reagir ao assalto à agência do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), no dia 6 de março. Ele chegou a ser levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu ao ferimento.
A agência localizada no Pecém tem sido um alvo frequente dos criminosos, em 2017. Conforme o chefe da Delepat, por duas vezes, neste ano, foi realizada a prática criminosa conhecida como 'sapatinho'. "Na madrugada, o grupo vai à casa do gerente ou tesoureiro, o leva até a agência, o força a abrir o cofre, espera o tempo de retardo, que pode durar horas, abre a agência como se funcionasse normal, pega R$ 150 mil e depois foge, às vezes levando (o funcionário) como refém até um local", explicou o delegado Francisco Martins.

Líder de quadrilha permanece foragido

O líder de uma quadrilha especializada em roubos de veículos e de cargas, que tinha os transportes dos Correios como principais alvos, Francinei Nobre da Silva, conhecido como 'Cancão', segue foragido, com um mandado de prisão preventiva contra ele em aberto, por uma investigação da Polícia Federal (PF).
A quadrilha de 'Cancão' foi desarticulada no dia 3 de junho deste ano, durante a Operação Carga Pesada, deflagrada pela PF, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar e Ministério Público Estadual do Ceará (MPCE). Cinco integrantes do grupo foram presos e seis mandados de busca e apreensão cumpridos, mas o 'cabeça' do bando conseguiu escapar da ação policial.
De acordo com a PF, o grupo criminoso costumava abordar veículos de cargas nas rodovias de acesso a Fortaleza, principalmente a BR-222 e CEs, com o uso de arma de fogo e emprego de violência. Após a abordagem, os criminosos conduziam os veículos até um local deserto, subtraíam a carga e liberavam o motorista. A escolha pelos veículos dos Correios se dava pela quantidade de eletroeletrônicos que eram transportados.
Durante as buscas, a Polícia apreendeu cerca de R$ 50 mil em espécie, três veículos roubados, armas e cerca de 2kg de maconha. A PF estima que a quadrilha deu um prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil aos Correios, com os roubos.
'Cancão', que é membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), já responde a processos na Justiça do Ceará por receptação, roubo e tráfico de drogas. Ele também foi preso por suspeita de comandar ataques a ônibus em Fortaleza, em 2015.
Crime organizado
O chefe da Delepat, Francisco Martins, afirmou que o perfil do criminoso que realiza uma ação contra os Correios mudou nos últimos anos e se aproximou dos integrantes dos bandos que atacam bancos. A quadrilha comandada por 'Cancão' e o seu "modus operandi" é um exemplo disso.
"Outrora, eu dizia que as ações contra os Correios eram de iniciantes do crime. Eu levava até esse argumento para polícias estaduais, para pedir o apoio deles e a atenção. Todavia, com o incremento de atividades nas agências, com o aumento do numerário, a gente viu que não só havia uma ação com uma dupla, em uma motocicleta, com um revólver (calibre) 38, que rendia e levava o que tinha nos guichês de atendimento. Nós já vimos ações mais bem planejadas", comparou o delegado federal.
Ainda conforme Martins, a PF já prendeu mais de 20 suspeitos de envolvimento em crimes contra os Correios, neste ano. Um deles foi o líder de outra quadrilha, o paulista Diego Gregório Meireles Santos, detido na Operação Alopécia, em 8 de agosto. Com ele, foram apreendidos um simulacro de fuzil, três veículos e fardas de forças da segurança.
Diego Gregório teria comandado pelo menos seis roubos a agências dos Correios, em 2017. Uma das ações criminosas ocorreu no Pecém, que terminou na morte de um cliente, e outro caso em Fortaleza.




Fonte: Diário do Nordeste

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