quinta-feira, 27 de junho de 2019

Ceará reduz 91% dos casos de catapora em cinco anos

A catapora (ou varicela) é doença comum durante a infância, mas pode afetar adolescentes e adultos de forma mais comprometedora. Entre 2014 e 2018, o Ceará registrou 3.221 casos da virose, segundo o Ministério da Saúde (MS). A pasta reforça que somente os óbitos e os casos graves da doença, que exigem internação, têm notificação compulsória, obrigatória pelas unidades de saúde.

Apesar da grande incidência, a doença tem retrocedido. Em 2014, foram 805 casos no Estado, número que reduziu para 69 em 2018, queda de 91%. O ministério não informou os dados referentes à capital nem ao ano de 2019, e as secretarias municipal e estadual de Saúde não contabilizam as ocorrências da infecção, sob a justificativa de não ser de notificação compulsória.

Entre 2012 e 2017, o Nordeste teve cerca de 88 mil casos de catapora. Naquele ano, mais de 23 mil pessoas foram infectadas na região, número que caiu para 2.744 em 2017.

A faixa etária com a maior incidência de casos notificados em todo o Brasil foi de 1 a 4 anos, com 227.660; seguida por 5 a 9 anos, com 179.592. Pessoas maiores de 50 anos são as menos atingidas, totalizando 4.081 casos em seis anos.

Prevenção
De acordo com a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Vanessa Soldatelli, a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o contágio. A primeira dose, explica, deve ser tomada por bebês de 15 meses, e a segunda, por crianças de 4 a 6 anos. Para esta segunda faixa, a dose entrou no calendário de vacinação obrigatória apenas em 2018, o que expôs boa parte da população ao vírus.

“Muitas crianças tomavam uma dose no posto de saúde e a segunda em clínica particular, outras não tinham condições. Até 2018, muitas ficaram vulneráveis. Inclusive, entre os infectados de hoje pode haver adolescentes que foram vacinados na infância. A vacinação não quer dizer que nunca vá ter a doença, mas dificulta a infecção e a torna bem mais amena, sendo indispensável”, alerta a coordenadora.

A contadora Kilvia Carvalho, 34 anos, enfrenta as consequências da não imunização: neste ano, os dois filhos dela – Davi, 14, e Gabriel, 8 – foram infectados pela varicela.

“O mais velho pegou dois dias depois que voltou de uma viagem a São Paulo, suspeito que tenha relação. Começou com febre, dor de cabeça, e no terceiro dia apareceram as bolhas pelo corpo. Tá com mais ou menos 20 dias, isso, mas já cicatrizando”, relata.

Nenhuma das crianças foi vacinada contra a doença, já que, quando estavam dentro da faixa etária, a vacina ainda não era fornecida pelo Sistema Único de Saúde. “Fiquei sabendo que a vacina, devido à idade, só era dada pela rede particular. Pela falta de conhecimento, acabaram não sendo vacinados na época. Eu acreditava que o SUS (Sistema Único de Saúde) englobava as vacinas, mas não”, lamenta Kilvia.

Vacina
Atualmente, o preço médio da tetraviral, para crianças e adolescentes menores de 12 anos, é de R$ 310 em clínicas de Fortaleza. Já a imunização contra varicela, para maiores de um ano, é de R$ 180. Na rede pública, as doses estão disponíveis em todos os postos de saúde diariamente. De acordo com o MS, foram repassadas ao Ceará, neste ano, 40 mil doses contra varicela e 80 mil doses de vacina tetraviral.

Na capital cearense, até maio deste ano, a cobertura vacinal (CV) contra varicela já totaliza 90%, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), número superior aos 89% de CV registrados em 2018. Nos 184 municípios, 75% das crianças estão imunizadas contra a virose – ano passado, foram 89%.

Segundo Vanessa Soldatelli, Fortaleza tem, geralmente, dois surtos por ano: um em março e outro entre agosto e setembro. “Podem ser por conta do vento e de fatores climáticos. Mas durante todo o ano, sempre tem casos. Há também os surtos institucionais: uma criança vai à escola com a doença e outras pegam, ou uma criança internada tem catapora, aparece outra no hospital e bloqueamos o contato”, pontua.

Mesmo que catapora só se pegue uma vez na vida, é arriscado entrar em contato com alguém que esteja com a doença. “Quando se tem contato novamente com o vírus, o adulto pode desenvolver Herpes zóster, que é causada pelo mesmo agente da catapora, mas é bem mais grave.

Mas isso depende do organismo da pessoa”, afirma. A imunização contra herpes-zóster custa, em média, R$ 550 em clínicas particulares.

Campanha
De 05 a 23 de agosto deste ano, o Ministério da Saúde promove a Campanha Nacional de Multivacinação, com a finalidade de atualizar a situação vacinal da população de crianças até nove anos. A vacina contra varicela, informa a Sesa, está inclusa, já que faz parte da rotina do Calendário Nacional de Vacinação da Criança.



Fonte: G1 CE

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