sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Polícia tem 12 dias para concluir inquérito sobre morte de Jamile

A Polícia Civil já colheu depoimentos, visualizou imagens de câmeras de monitoramento, recebeu exames periciais e até solicitou a prisão temporária do advogado Aldemir Pessoa Júnior, durante os 18 dias em que o inquérito policial que apura a morte de Jamile de Oliveira Correia foi instaurado. O pedido foi recusado pela Justiça Estadual. A investigação continua e ainda restam 12 dias para que a apuração seja concluída – se a Polícia não solicitar a prorrogação do prazo. A família da empresária e a sociedade aguardam uma resposta nos próximos dias: afinal, a empresária cometeu suicídio ou foi morta pelo namorado?

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e os delegados responsáveis pela investigação seguem sem se manifestar, para não se precipitar sobre uma morte misteriosa, que deixou dezenas de dúvidas. O caso veio à tona com as reportagens publicadas pelo Sistema Verdes Mares, a partir do dia 16 de setembro último – mais de duas semanas após a morte de Jamile.

Na decisão proferida pelo juiz Edson Feitosa dos Santos Filho, ele afirma que as contradições nos depoimentos colhidos não são suficientes para validar a custódia. Apesar da negativa, o magistrado proferiu que medidas cautelares sejam cumpridas pelo advogado suspeito, dentre elas: afastamento e proibição de frequentar o apartamento da vítima, proibição de manter contato com as testemunhas do inquérito policial, manter distância do filho de Jamile e não se ausentar da comarca sem ter autorização da Justiça.

Ainda na decisão negando a prisão temporária, Edson Feitosa determinou uma busca no apartamento onde ocorreu o suposto crime. No entanto, a Polícia Civil já realizou buscas no imóvel. Ainda de acordo com pedido do juiz, as armas do advogado devem ser entregues às autoridades, o que também já aconteceu.

Caso Jamile: 
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Laudo 
O exame residuográfico feito pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) no corpo da empresária – obtido ontem com exclusividade pela reportagem - mostrou que não havia chumbo nas mãos de Jamile. O tiro contra o peito da mulher foi efetuado no início da madrugada de 30 de agosto, e ela morreu por volta de 7h do dia 31. A coleta de resíduos foi realizada no dia da morte, às 16h40, mais de 40 horas após o disparo.

O espaço de tempo para a realização do exame foi ponderado pelo perito criminal que assinou o laudo e pelo perito criminal aposentado e ex-diretor do Instituto de Criminalística do Ceará, Ranvier Aragão. A reportagem apurou que a “morte misteriosa” foi informada para a Polícia Civil apenas às 13h45 daquele dia, e, antes, o caso era tratado como suicídio.

“Portanto, o presente exame não pode ser considerado como prova técnica contundente, única e definitiva para se estabelecer uma correlação entre vestígio detectado ou não, e o fato questionado. É recomendável ter outros meios de prova como orientação técnica. Outros exames de evidências materiais e/ou provas circunstanciais ou testemunháveis devem auxiliar na formação da convicção que o caso requer”, conclui o laudo.

“Para que esse exame seja factível, é preciso que o examinado seja preservado, que o exame seja feito o quanto antes”, corrobora Aragão, que também afirma que a trajetória feita pela bala “não é comum de tiros suicidas”.

O laudo cadavérico, também elaborado pela Pefoce, aponta que o tiro que matou Jamile “se deu de cima para baixo, ântero-posteriormente (pela frente do corpo) e da esquerda para direita”. Entretanto, o documento afirma que não é possível “determinar a distância do tiro pois o orifício foi modificado cirurgicamente”.

Outras provas
Familiares da empresária, profissionais da saúde que a atenderam, a ex-esposa do advogado, entre outras pessoas, já prestaram depoimento ao 2º DP (Aldeota). O filho de Jamile, um adolescente de 14 anos, contou que Aldemir tratava a sua mãe com violência e que já havia presenciado agressões.

Já o médico plantonista Janio Cordeiro Barroso e uma enfermeira revelaram à Polícia que a mulher contou, no IJF, que atirou contra si. “O depoente botou a mão na cabeça dela e perguntou: ‘O que houve?’; ela respondeu: ‘Isso foi um tiro que eu mesma dei em mim’”, detalha o termo de depoimento do médico.

Imagens das câmeras de monitoramento do condomínio de luxo onde o casal morava, localizado na Rua Joaquim Nabuco, no bairro Meireles, em Fortaleza, também são analisadas pelos investigadores. Os registros, também obtidos pelo Sistema Verdes Mares, mostram o homem agredindo a mulher, ao chegarem ao prédio em um veículo, na noite de 29 de agosto deste ano, antes de ela ser baleada no peito.


(Diário do Nordeste)

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