quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Pesquisadores descobrem material genético de dinossauro em fóssil de 110 milhões de anos no Ceará

Uma molécula biológica responsável pela pigmentação de seres vivos foi encontrada preservada em um fóssil de cerca de 110 milhões de anos na região do Araripe, região sul do Ceará. O fóssil é de um pterossauro, um tipo de réptil voador da “Era dos Dinossauros”.

Outros fósseis da mesma espécime já foram encontrados na Chapada do Araripe, mas, neste caso, a crista do animal foi preservada. A descoberta faz parte de um estudo publicado nesta segunda-feira (4), na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature.

Artur Andrade, pesquisador do Escritório Regional do Departamento Nacional de Produção Mineral, explica que a descoberta faz parte “da continuidade de um trabalho que se vem fazendo em cima de uma placa calcária, que tem uma crista de um Tupandactylus”. Segundo o pesquisador, o material já serviu para outras pesquisas do campo: “esse já é o terceiro trabalho desenvolvido nessa placa”.

Os responsáveis pelo estudo são o paleontólogo Felipe Pinheiro, que atua na Universidade Federal de Pampa, no Rio Grande do Sul; Gustavo Prado, pesquisador do Instituto de Geociência da Universidade de São Paulo (USP); e o núcleo cearense, por meio do pesquisador Artur Andrade. Além disso, a equipe é composta, também, por cientistas de outros países, como Japão e Estados Unidos.

O fóssil em questão pertence a um Tupandactylus, um pterossauro voador de aproximadamente três metros de envergadura e uma crista alta na cabeça. Os pesquisadores comemoraram, principalmente, o bom estado de conservação do material: "parece que o pterossauro morreu ontem”, relatou Felipe Pinheiro.

“A melanina é uma das moléculas mais resistentes aos processos de fossilização. Enquanto os outros compostos são degradados com o passar do tempo, esse pigmento resiste de forma mais ou menos intacta”, explica o pesquisador Gustavo Prado, especialista em pigmentos fossilizados.

O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Chapada do Araripe
Artur Andrade explica que uma associação de fatores contribuíram para que a melanina fosse preservada dentro da crista do pterossauro.

“Isso dá uma importância maior e com certeza os olhos da pesquisa vão ser virados novamente para a bacia sedimentar do Araripe. Assim, a gente vai dar continuidade a ponto de saber quais são as cores realmente existentes nesses animais”, finaliza.

A Chapada do Araripe compõe um território importante para o campo paleontológico nacional. Segundo o pesquisador, a presença de cor também já foi observada em estudos com asas de insetos e em alguns tipos de borboletas realizados na bacia cearense.

“Isso reporta ao patamar significante da bacia no contexto paleontológico, tendo em vista as condições que favoreceram o processo de fossilização”, pontua.


(G1 CE)

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