sábado, 21 de dezembro de 2019

Rede de voluntários monitora volume de chuva nas 184 cidades do Ceará

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) dispõe da maior rede do Nordeste de pluviômetros instalados em centros urbanos e em áreas rurais do Nordeste. E para registrar o volume de chuva de chuva diário em cada uma das 184 cidades do Ceará, a fundação conta com uma rede de voluntários, que têm instalados pluviômetros em suas propriedades.

Há no Ceará, 550 pluviômetros instalados em órgãos públicos e em unidades agrícolas. A maioria está na zona rural. Os leituristas são voluntários convocados pela Funceme. Eles foram treinados pelos órgãos e há confiança depositada no trabalho. Os equipamentos da Funceme seguem um padrão internacional da Organização Meteorológica Mundial, e cada milímetro registrado no equipamento equivale a um litro de água por metro quadrado.

“Os dados extremos (possível distorção) são verificados através de análise comparativa com imagens de satélite e radar meteorológico”, explica a meteorologista da Funceme Meiry Sakamoto. “A informação é diária, mas caso não ocorra, eles são contactados pela Funceme”.

No sítio Baú, zona rural de Iguatu, a enfermeira aposentada Naura Alves, segue o trabalho voluntário que durante décadas foi realizado pela mãe. “É um compromisso e uma dedicação nossa em manter a Funceme e a população informada”, frisou. “Todos os dados são anotados em um caderno."

Na localidade de Quixoá, também zona rural de Iguatu, Elizete de Jesus é outra voluntária a serviço da meteorologia oficial. “Quando chove, as pessoas ficam com aquela curiosidade de saber quantos milímetros foram e não param de perguntar”, contou.

Os meteorologistas do órgão reconhecem que apesar de ter a maior rede pluviométrica da região nordestina, há necessidade de instalação dos medidores da quantidade de chuva nas sedes de todos os distritos municipais. “Há sim um plano de expansão para compra e instalação de mais equipamentos”, frisou Meiry Sakamoto.

A Funceme começou a monitorar a quantidade de chuva a partir da instalação dos primeiros pluviômetros em 1973, nas cidades de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, e em Acopiara, na região Centro-Sul Cearense. Desde então o número de equipamentos aumenta a cada ano.

Os medidores utilizados pela Funceme são padronizados e são do modelo Ville, francês. As leituras também são sistematizadas e realizadas diariamente às 7h e não no momento da chuva. “Esses procedimentos permitem manter uma série de dados confiáveis”, pontuou a meteorologista.

Sobre a localização dos pluviômetros, Meiry Sakamoto, explica que o critério de escolha é baseado em uma distribuição que represente o espaço geográfico cearense. “Devido à alta variabilidade espacial das chuvas no Ceará, procuramos instalar os pluviômetros no território de modo a ter medidas representativas dessa variabilidade”, explicou.

Estiagem severa
Desde 2012 que a região é castigada por precipitações irregulares e escassas. “Esse é um dos mais longos ciclos de chuvas irregulares e abaixo da média”, observou o gerente regional da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), em Iguatu, Anatarino Torres.

Os pequenos e médios reservatórios estão secos. De acordo com o Portal Hidrológico da Cogerh, há no momento 13 açudes secos e 31 em volume morto. Os três maiores acumulam reduzido volume de água: Castanhão (2,9%), Orós (5,4%) e Banabuiú (6,2%).

Mediante esse quadro, o Ceará depende da recarga dos reservatórios na próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio). “A porção centro e sul do Estado é a mais afetada com chuvas irregulares e abaixo da média, por isso é relevante a ocorrência de boas chuvas no próximo ano”, pontuou o diretor de Operações da Cogerh, Bruno Rebouças.

Uso de radares
Outros instrumentos de verificação do tempo operados pela Funceme são os radares meteorológicos. O órgão mantém um em Fortaleza que permite o monitoramento da área metropolitana da capital (raio de 120 km) e serve de apoio para a emissão de avisos meteorológicos.

Em Quixeramobim, opera um outro equipamento de alcance de 400 km, que permite o monitoramento de todo o Ceará e parte dos estados vizinhos.

“Os dois equipamentos monitoram as chuvas no Ceará em tempo real, possibilitando também acompanhar o deslocamento, intensificação dos sistemas precipitantes, sendo imprescindíveis para a previsão de tempo”, observou Meiry Sakamoto.

Radares meteorológicos são equipamentos de sensoriamento remoto que utilizam ondas eletromagnéticas na faixa das micro-ondas. Dependendo da faixa, podem monitorar nuvens ou precipitação (chuva).


(G1 CE)


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