sexta-feira, 6 de março de 2020

Medicamentos para Alzheimer estão em falta há 4 meses no Ceará

Desde novembro de 2019, os medicamentos Rivastigmina (6mg) e Exelon Patch (9 mg) , usados no tratamento de pacientes com Alzheimer, estão em falta nos hospitais ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS), no Ceará. Os remédios estão na lista de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS para reduzir os sintomas do Alzheimer.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), o Ministério da Saúde (MS) ainda não repôs o estoque dos compostos nas unidades da rede pública. A previsão, ainda segundo a Secretaria, é que o fornecimento só normalize a partir do dia 20 de março.

Em janeiro, o G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde sobre o atraso. Em nota enviada à época, o órgão informou estar enfrentando problemas desde outubro do ano passado com distribuidor contratado pelo Ministério para enviar o medicamento, o Instituto Vital Brazil.

Na ocasião, a pasta informou que o estoque estaria abastecido na primeira quinzena de fevereiro deste ano. Contudo, até esta sexta-feira (06), unidades cearenses ainda indicavam a falta dos medicamentos. A reportagem retornou o contato com o Ministério sobre o abastecimento e espera atualizações sobre o caso.

Ana Lúcia da Cunha Cavalcante, doméstica de 44 anos, aguarda a volta do remédio para o Hospital Geral Doutor César Cals (HGCC), em Fortaleza, para prosseguir com o tratamento da mãe, Hilda Santos da Cunha, 82, diagnosticada com Alzheimer em 2008. A idosa está cadastrada para receber o comprimido da Rivastigmina, com dosagem de 6 mg.

“Por enquanto, estamos comprando por fora. Agora, eu compro duas caixas por mês. Cada caixa custa por volta de R$ 150. É pesado porque além desse medicamento é preciso comprar outras coisas, já que ela é uma senhora de idade”, conta Ana.

Segundo a doméstica, é a primeira vez que a família enfrenta dificuldades para receber o medicamento.

“Desde que ela foi diagnosticada, 12 anos atrás, ela recebia pelo SUS. Só que em novembro começou a faltar a medicação”, relembra. O impacto no orçamento da família não é a única preocupação de Ana: a medicação é de difícil de localizar nas farmácias da Fortaleza. “Não é toda canto que eu encontro. Até agora só achei em dois locais”, conta.

Qualidade de vida
A medicação disponibilizada pelo SUS reduz a apresentação de sintomas e contribui para que o paciente viva uma rotina menos desconfortável.

O médico geriatra Victor Macedo explica que, apesar do Alzheimer ser uma doença degenerativa, ainda sem reversão, os remédios impactam na qualidade de vida. “Esse tratamento é o que a gente chama de sintomático. Ajuda a controlar o sintoma da doença e o ajuda o paciente a melhorar o comportamento”, conta.

O corte abrupto do medicamento pode trazer outras complicações para o tratamento. “Esses tipos de medicações, quando precisam ser retirados, é preciso que um ‘desmame’ seja feito. O corpo sente falta, é necessário que a retirada seja feita devagar”, avalia Victor.

De acordo com a Sesa, nenhuma unidade do Estado está com os as dosagens Rivastigmina de 6mg e do adesivo Exelon Patch, com 9 mg, em estoque.

Na capital, além do HGCC, o Hospital Geral de Fortaleza, Hospital de Saúde Mental de Messejana e o Hospital Universitário Walter Cantídio, deveriam disponibilizar a medicação. No interior, a distribuição é feito por meio das coordenadorias regionais de saúde às unidades de atendimento ambulatorial dos municípios, mas ainda não há normalização no fornecimento.


(G1 CE)

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