segunda-feira, 20 de abril de 2020

Setor produtivo cobra do Governo do Ceará plano para retorno das atividades

Insatisfeitos com a falta de um plano para o retorno das atividades econômicas no Ceará, representantes de 13 entidades (de setores do comércio, indústria, transportes, agropecuária, hospedagem e de micro e pequenas empresas) assinaram um manifesto solicitando a criação de uma comissão composta por membros do Governo e do setor produtivo. O objetivo é viabilizar o retorno gradual das atividades empresariais “a fim de que possamos encontrar um caminho que preserve o equilíbrio econômico e social no combate à pandemia”, diz o documento.

Para os representantes, é “inconcebível” que após um mês de isolamento e do anúncio de sua prorrogação até 5 de maio nenhum plano para a retomada das atividades tenha sido apresentado. “Muito pelo contrário, ao insistir em um pseudo conflito de interesses entre a saúde pública e a economia, estamos assistindo medidas que paralisam a atividade produtiva e que terão impactos duradouros e diretos na saúde financeira de todos os cearenses”, diz o documento.

As entidades ressaltam ainda que representam mais de 1 milhão de empregos formais no Estado, o equivalente a 73% de todos os empregos do Ceará e respondem por 76% do PIB cearense. “Desse modo, (as entidades) estão preocupadas em não serem omissas, diante do desafio de manter empregos e salários de seus colaboradores”.

Veja a íntegra do documento:

MANIFESTO À SOCIEDADE CEARENSE
O SETOR PRODUTIVO CEARENSE, representado no Comitê de enfrentamento ao Coronavírus do Governo do Ceará pela FIEC, FECOMÉRCIO, FETRANS e CDL, MANIFESTA A SUA PROFUNDA INSATISFAÇÃO pela falta de um plano de flexibilização para a retomada gradual das atividades econômicas, que possa assegurar todos os cuidados necessários tanto aos nossos colaboradores como à sociedade, visando à mitigação dos impactos da crise, simultaneamente à saúde pública e à economia, de modo a preservar vidas e manutenção dos empregos; a situação atual traz profunda insegurança à sociedade, aos empresários e aos seus colaboradores, informais e autônomos.

Estamos apoiando todas as medidas do Governo para minimizar os impactos da pandemia e enfrentar a crise e respeitando todas as medidas de prevenção e combate à propagação do vírus, em especial as de isolamento e suspensão de atividades, e, além disso, através de parcerias com a iniciativa privada, estamos em constante mobilização para colaborar com a doação de equipamentos hospitalares, fornecimento de EPI's para hospitais e campanhas de conscientização.

As entidades que assinam este manifesto, hoje representam 1.080.000 empregos formais no Estado do Ceará, o que significa 73,3% de todos os empregos no Estado do Ceará e 76,31% do PIB estadual. Desse modo, estão preocupadas em não serem omissas, diante do desafio de manter empregos e salários de seus colaboradores.

No entanto, é inconcebível que transcorrido um mês do início do isolamento e já tendo sido anunciado a sua prorrogação até o dia 05 de maio de 2020, conforme Decreto Estadual no 33.544, de 19 de abril de 2020, o Setor Produtivo ainda NÃO TENHA RECEBIDO NENHUMA PROPOSTA CLARA, nenhum plano específico, nenhum cronograma, sobre nossos principais pleitos para a reabertura dos negócios e a retomada das atividades produtivas, seguindo todas as orientações da OMS.

Muito pelo contrário, ao insistir em um pseudo conflito de interesses entre a saúde pública e a economia, estamos assistindo medidas que paralisam a atividade produtiva e que terão impactos duradouros e diretos na saúde financeira de todos os cearenses.

Nesse sentido, solicitamos a CRIAÇÃO DE UMA COMISSÃO composta por membros do Governo e do Setor Produtivo, para que possamos de forma segura flexibilizar o retorno gradual das atividades empresariais, dentro de padrões estabelecidos por essa Comissão, a fim de que possamos encontrar um caminho que preserve o equilíbrio econômico e social no combate à pandemia.

Seguimos abertos ao diálogo e com a certeza que o enfrentamento da pandemia não é só uma questão de saúde pública, mas também econômica e social.

Assinam,

RICARDO CAVALCANTE
Presidente da FIEC

MAURÍCIO FILIZOLA
Presidente da FECOMÉRCIO

FREITAS CORDEIRO
Presidente da FCDL

FLÁVIO SABOYA
Presidente da FAEC

CHIQUINHO FEITOSA
Presidente da FETRANS

FRANCISCO BARRETO
Presidente da FACIC

ASSIS CAVALCANTE
Presidente da CDL

CID ALVES
Presidente do SINDILOJAS

DALVANI MOTA
Presidente da FEMICRO-CE

MANOEL LINHARES
Presidente da ABIH

JOÃO PORTO GUIMAR ES
Presidente da ACC

DIMAS BARREIRA
Presidente do SINDIÔNIBUS


(Diário do Nordeste)

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